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25.9.15

"Retiro do Chefe Costa" (Lisboa, Alcântara)


Um Chefe que não pede de estrelas


Há muitos anos que sentia alguma curiosidade ao olhar aquele restaurante, situado do lado mais inestético do largo de Alcântara, no sopé do bairro do Alvito. O nome – “O Retiro do Chefe Costa” - era, em si mesmo, bizarro. Via-o quando tomava o caminho para a ponte sobre o Tejo. Amigos diziam-me ser muito recomendável, mas o aspeto exterior, confesso, não me entusiasmava, pelo que fui hesitando. Até há dias.
Como se chega lá? De carro, saindo de um semáforo junto à estação de Alcântara-Terra, atravessa-se em perpendicular a avenida de Ceuta. No final dessa travessia (mas só no final, caso contrário arrisca-se a ir parar a Almada!), corta-se à esquerda, prosseguindo depois pouco mais de uma centena de metros. Mas também se pode atravessar a pé, do lado da rua Prior do Crato, depois da passagem de nível.
O interior do “Retiro”, não tendo o menor luxo, supera francamente a sua imagem externa, num edifício que me disseram ter sido em tempos um cinema popular de Alcântara. É o típico restaurante popular de bairro de Lisboa, limpo, com pessoal amável, onde dá vontade de levar um grupo de amigos e ficar por ali à conversa, por horas.
A lista – como já me tinham dito – é impressionante de variedade. Os peixes têm um lugar predominante. Não optei pela emblemática Massada de garoupa à Hortense, de que todos me falam, preferindo desta vez um Caril de Camarão à Goa, que se apresentou magnífico de textura e sabor. Mas também figuravam na lista a Sopa rica de peixe à Fragateira, o Bacalhau na caçarola à Caldelas – denunciando a raiz minhota da casa -, o Arroz de polvo no tacho com gambas, os Lombinhos de garoupa à Berlengas e vários outros pratos de peixe, com uma oferta muito variada de mariscos.
Nas carnes, optou-se por um Cabrito do Norte assado à Cabeceiras, que ganharia em estar menos seco, embora muito agradável no sabor. A origem setentrional da casa voltou a notar-se nos Rojões de Porco no tacho à Bracarense, que luziam numa mesa ao lado. Uma Dobrada de feijão branco e o clássico Arroz de pato à Antiga compunham a oferta, onde figuravam ainda as várias declinações tradicionais das carnes, fosse de vitela ou de porco.
Numa parede anunciava-se que, por encomenda, era possível comer por ali Lebre, Coelho bravo e perdiz. Uma boa oportunidade.
A refeição fora aberta com umas belas chamuças, bolos de bacalhau e azeitonas, deixando de parte uma ovas que também prometiam.
Nas sobremesas, o menu não inventa e segue a regra nacional: arroz doce, pudim de ovos, leite creme, mousse de chocolate, semifrio, algumas tartes, etc. Provou-se apenas o arroz doce, que estava bom.
A carta de vinhos, manuscrita, é surpreendentemente variada, com a curiosidade de apresentar vários verdes, dos brancos minhotos ao tinto, incluindo o “vinhão” de Ponte de Lima. Nela predominam os Alentejos, se bem que os Douros e alguns Dão também por ali surjam, a preços muito razoáveis. Há vinho ao jarro e, claro, sangria.
A minha experiência nesta visita ao “Retiro” foi manifestamente curta, como o leitor terá verificado. Mas a prova provada de que foi positiva é que fiquei com uma forte vontade de lá voltar, muito em breve.
Acho importante apoiar a continuidade deste tipo de casas, onde uma cozinha genuína, sem arrebiques mas com uma qualidade sustentada no tempo, em doses generosas, servida por gente esforçada e muito agradável, nos oferece uma relação qualidade/preço que, neste caso, é do melhor que tenho visto por esta Lisboa.      

LISBOA (ALCÂNTARA)
“O Retiro do Chefe Costa”
Estrada do Alvito, 12,
1300 Lisboa
Tlf. 213 637 914   
Fecha à 2ª feira
Reserva recomendada
Preço médio/pessoa: 15/18 euros
Aceita Multibanco, Visa, Mastercard

6 comentários:

  1. Uma boa dica. É difícil encontrar restaurantes com estas características.

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  2. em sitios difíceis de aceder encontram-se bons lugares para comer, conclusão da convincente critica

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    1. Tenho a sorte de ser cliente desde o arranque.Muito bom e equilibrado. Parabens.

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  3. E lá voltei ontem, confirmando a boa impressão aqui registada.

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  4. Vou lá desde o seu início!!!Adoro o Caril de camarão goês... Antigamente a porta ao lado era a casa do Dani Silva O PILÃO ... Belos tempos...

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  5. Muito bom.Sem comentários.Sempre bem recebido.

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